Dungaaa acabeeeei!
8/07/10 | Andre NogueiraExcelente charge de Gustavo Duarte publicado em: http://mangabastudios.blog.uol.com.br/

Excelente charge de Gustavo Duarte publicado em: http://mangabastudios.blog.uol.com.br/

Nos últimos quatro anos o Brasil se lembra, se remói, se machuca vendo ao gol de Henry nas quartas de final da copa de 2006. Não existe um brasileiro que não aponte (ou tenha apontado) o dedo na direção de Roberto Carlos, que o acusasse de se preocupar com as meias na hora errada…
Seria este o destino de Felipe Melo ? (que aliás rebatizou temporariamente este blog)
Não. Não será!
Nós amamos odiar o Roberto Carlos.
Ele é marrento, mascarado, sempre está rindo (a toa). Eu lembro do Corinthians x Real Madrid pelo Mundial de Clubes em 2000 quando umas 70 mil pessoas vaiavam e xingavam o Roberto Carlos a cada toque dele na bola… “Como ele é mascarado!” era frase comum.
Só que nós odiamos admirar e amar o Roberto Carlos. O cara é lateral-esquerdo, não muito habilidoso, mas já ganhou tudo e mais um pouco. É uma lenda no Real Madrid — afinal foram 9 anos, uma bacia de títulos — é temido na Argentina (ainda me lembro do Sorin falando que era uma honra jogar no pais dos laterais…) e admirado mundo a fora…
No final do dia vamos lembrar do Roberto Carlos que errou uma bicicleta dentro da própria área, que abaixou o meião na hora errada e que é expulso por excesso de virilidade. Mas também lembraremos dos gols de falta, dos piques, dos passes e dos títulos do rapaz.
Se ele nos decepcionou, em algum momento, é porque sabíamos que ele é fora de série…
Enquanto isto o Felipe Melo será esquecido e jogado na mesma vala-comum que já consumiu, em eras passadas, o tal do Sebastião Lazaroni.
Se a Nike não lançar, vou cuidar de confeccionar minha própria camisa comemorativa do grande jogo Brasil x Holanda que aconteceu durante as quartas de finais da Copa da África do Sul. Alguém mais se interessa?

Assim como seu chefe batizou uma geração como Era Dunga, Felipe Melo, o burro, se torna parte da história do futebol brasileiro ao protagonizar a pífia “Era Felipe Melo”.
Dunga cometeu diversos erros, assim como teve diversos acertos. Tem enorme parcela de responsabilidade na campanha da copa, mas, espero, seja absolvido (novamente) pela história. O seu mestre de obras, por outro lado, deve ter seu nome escrito em uma ostra que será jogada nas profundezas da memória.
Felipe Melo vive a saga do vilão: Começa odiado por todos, em baixa, tem um breve momento de brilho para então se refugiar junto a sua incompetência.
Em um jogo que poderia ser marcado por uma enfiada de bola perfeita que ele deu para Robinho no gol canarinho, ele volta para o segundo tempo determinado a se mostrar todo, completo. Primeiro com o belo gol contra — que também pode ser atribuído a uma (rara) falha do arqueiro — depois, para o gran finale, com a merecida, justa e previsível expulsão.
Para quem, como eu, assistia o jogo na Band, ouvir os insistentes e constantes comentários de Neto, que pedia a saída do Felipe Melo para a entrada do Nilmar, se tornou insuportável com a profecia realizada. Neto provou que seus tempos de jogador lhe ensinaram muito sobre a dinâmica do futebol.
Agora o Extra pode colocar seu anúncio na Folha.
Agora o Galvão pode recuperar a sua voz.
Agora o Dunga pode ir treinar a Fiorentina.
Agora o Felipe Melo pode ser relegado ao esquecimento.
Que a igrejinha se vá para sempre e voltemos a ter nossos jogadores macumbeiros, politicamente incorretos e matadores*.
* Não estou falando para colocarmos o Bruno do Flamengo na seleção, antes que alguém diga que é clamor popular.
Pelo menos isso o nosso Dunga ainda não fez!
Pois é, segundo o Extra — patrocinador oficial da Seleção Brasileira — os 3 a 0 contra o Chile não foram reais. Todos sonhamos com aquilo.
Em anúncio que circulou em algumas edições da Folha de São Paulo da manhã de hoje, o Extra publicou anúncio em tom lamurioso sobre a “derrota” e “eliminação” do scratch brasileiro da Copa.
Admito que o time não me empolgou muito, afinal os vermelhos do outro lado não eram lá muito ameaçadores, mas pelo pouco que me lembro, quem ganha o jogo continua na competição, certo?
É a vida, talvez este seja o anúncio do sábado de manhã?
Os números não mentem (ou seriam os astros), então vamos a mais uma rodada de estatísticas para explicar um jogo medonho:
Em resumo, foi um jogo muito ruim. Principalmente depois da minha corrida ao McDonald’s,…
Um dia de sol e pouco trânsito em São Paulo. Parece tudo certo para o jogo do Brasil.
Não importa muito que não teremos Kaká (e Elano), que o time terá Júlio Baptista e que o Felipe Melo continua entre os tritulares.
Não importa que do outro lado temos o ataque mais positivo da copa — até agora — e o craque Cristiano Ronaldo.
Não importa que hoje é o #diasemglobo. Pois afinal, vamos combinar, sabemos que Globo e Galvão Bueno são como drogas que boa parte das pessoas não consegue se libertar…
Não importa que o técnico brasileiro não seja carismático, simpático, ou mesmo um técnico.
No final, o que importa, é que na hora que começar o jogo vamos esquecer todos os “senões” e irracionalmente torceremos pelos de amarelo.
Após o jogo, vem as críticas…
Kaká,
Parabéns. Você se mostrou um homem de princípios e, diferente de seu comandante, deu nome aos bois. Você disse que o jornalista Juca Kfouri te persegue por questões religiosas. Parabéns pela atitude.
Agora, vamos aos fatos importantes:
No final das contas o tempo dirá se a notícia dada pelo jornalista é verdadeira ou não — eu aposto uma jujuba que é sim — e teremos um veredicto sobre este assunto.
Agora com relação ao, espinhoso, assunto de perseguição religiosa, eu gostaria de colocar alguns pontos para você pensar:
Como você se sentiria se um jogador com uma religião diferente da sua — que tal alguém do candomblé — agradecesse pelas vitórias ao deus X ou ao deus Y. Imagine a cena acontecendo na seleção brasileira, imagine, apenas por um instante, um jogador se dizendo filho de Ogun e que graças ao “corpo fechado” dele, o time foi campeão… A brincadeira perderia a graça, certo?
No final o seu deus não tem nada a ver com o resultado dos jogos — afinal do outro lado também existem filhos dele — e apenas vocês, jogadores, são os responsáveis por vitórias e derrotas.
Não foi a divindade que ganhou o jogo contra Costa do Marfim, foram vocês!. Não foi a divindade que entrou em campo com dores, que correu, que tomou botinada, foram vocês! Isto posto, não veja toda e qualquer crítica como religiosa. Não imagine perseguição onde não há.
E se mesmo assim você achar que ateus perseguem os crentes, podemos conversar sobre como é ser ateu no Brasil. Você verá que preconceito, perseguição e descrédito correm no sentido contrário ao pregado por você.
Isto posto, ganhe a copa.
Grato,
Érico Andrei, apenas um brasileiro e ateu.